quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Sonho


Lá estava ele, entre um acorde e outro. Cada nota que eu cantava. Cada vez que ele aparecia.
Lá estava ele, encantado, talvez príncipe, talvez sapo. Ele que de um jeito ou de outro é meio tosco e meio educado.
Enquanto eu cantava, ele aparecia, quando terminava, ia embora. E eu sempre me perguntando “cadê ele”; “e agora?”.
Se ele pudesse abraçar, me confortaria. Se pudesse andar, passearíamos juntos. Se pudesse falar, me diria coisas bonitas. Se pudesse sentir me amaria.
Mas sonho não tem coração, não tem boca e nem põe o pé no chão.
O sonho invade a gente, mesmo que sem permissão, enquanto a gente toca o violão.
E o que é irreal a gente chega quase a sentir. Sentir o abraço, o beijinho na bochecha, o friozinho no estômago...
Até raiva sinto do sonho, raiva por brigas imaginárias, ou pelo simples fato de ele não se de verdade, raiva de ele ir embora.
Então começo a cantar, e lá está ele de novo, cada nota, cada vez.

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